O jovem cineasta lafaietense Júlio Lellis está realizando a montagem de um longa-metragem sobre a vida da escritora Nélida Piñon, numa produção hispânico-brasileira. "Nélida Piñon - O Atlântico e suas Correntes" conta a vida e obra de uma das mais importantes escritoras internacionais do momento, por meio de entrevistas com ela própria e com amigos seus. O filme, inclusive, já tem cenas gravadas do encontro de Nélida Piñon com Maria Bethânia e Lygia Fagundes Telles. Alusões cênicas de seus 17 livros fazem a parte ficcional do filme, do qual participam artistas de renome, como Léa Garcia, Beth Goulart, Elke Maravilha, Imara Reis, entre outros.
Ao autorizar a produção, Nélida destacou sua confiança e seu crédito em relação a Júlio Lellis, certa da fidelidade do realizador à obra sua obra. Júlio Lellis destaca a receptividade de alguns convidados, como Maria Bethânia, que fechou o seu camarim, após um show no Canecão, no Rio de Janeiro, para a filmagem do encontro, "em virtude do carinho e amizade que tem por Nélida", comentou. Outra cena que já foi gravada é com Lygia Fagundes Telles e Jélio, durante a Bienal do Livro, em São Paulo. Na ocasião, "Nélida assistia a uma palestra que a Lygia estava proferindo em um dos estandes da Bienal. Foi um momento interessante, em que duas escritoras consagradas se encontraram para um registro histórico", contou Lellis.
Júlio Lellis não é estreante na área, com outros trabalhos realizados no campo cinematográfico. Um deles é o curta-metragem "A Família Ruiva - Onde Estará o Bebê Ruivo", filmado no Rio de Janeiro em março de 2006. Esse curta conta, também, com a participação de outro lafaietense, o ator Alex Fabiani, que foi indicado por Júlio, pela sua capacidade e boa atuação.
NÉLIDA PIÑON
A escritora Nélida Piñon, em cuja obra baseia-se o filme de Júlio Lellis, é uma das imortais da Academia Brasileira de Letras, onde ocupa a cadeira nº 30, desde 1990, na sucessão de Aurélio Buarque de Holanda. No biênio 1996-1997, tornou-se a primeira mulher, em 100 anos, a presidir a instituição, coincidindo com o ano de seu centenário. Nascida no Rio de Janeiro, Nélida é formada no curso de Jornalismo da Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Filha de Olivia Carmen Cuiñas Piñon e Lino Piñon Muiños, é de família originária de Cotobade, Galícia.
Além da ABL, Nélida é sócia-correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia de Filosofia do Brasil. Foi ela quem inaugurou, em 1970, a primeira cadeira de Criação Literária, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi titular da Cátedra Dr. Henry King Stanford in Humanities, da Universidade de Miami, de 1990 até 2003, em substituição a Isaac Baschevis Singer, Prêmio Nobel, quando renunciou à cátedra.
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